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stress - 01. Estamos sofrendo um excesso de estímulos?

01. Estamos sofrendo um excesso de estímulos?

O contexto de vida contemporâneo nos submete a um volume imenso de informações visuais e auditivas, em um simples passeio por uma cidade, quando dirigimos nossos carros, obriga nossas mentes ao processamento de um volume absurdo de informações, de forma consciente e em um nível muito maior, de forma inconsciente.

Os outdoors, as propagandas, as imagens de produtos sendo incessantemente expostas, os ruídos dos automóveis, a observação das sinalizações de transito, o som do carro ligado, o telefone celular nos chamando a atenção para mensagens e e-mails, o GPS nos guiando por comandos de voz, são alguns dos inúmeros estímulos aos quais estamos expostos.

Essa velocidade de informação, esse volume desproposital de conteúdos também faz com que a qualificação das pessoas se torne algo mais efêmero, obriga a todos a estar estudando dentro de suas áreas indefinidamente e acentua o aspecto competitivo no contexto profissional.

A teoria da evolução mostra que os organismos vão se adaptando gradativamente ao ambiente e as necessidades que se apresentam, mas normalmente as mudanças são muito mais paulatinas e não exigem um salto como este que observamos nas últimas gerações.

Na base dos próximos artigos veremos o conceito da plasticidade neuronal, capacidade que os neurônios têm de formar novas conexões a cada momento, isso normalmente se da em duas situações, a primeira onde o indivíduo está desenvolvendo uma aptidão diferente das que já tem, por exemplo, alguém que se dedica ao aprendizado de um instrumento e outra onde uma região do nosso cérebro passa a executar funções de outra região que tenha sido lesada.

Esta capacidade vem sendo extremamente exigida a medida em que as mudanças nos nossos cotidianos tem se mostrado tão intensas, pois nos obriga a um nível de adaptabilidade muito grande, e é esta mesma capacidade que acaba por explicar a forma como a meditação remodela e reajusta alguns padrões cerebrais, proporcionando uma profunda mudança em nossas percepções de vida, bem como nos garantindo uma chance muito menor de desenvolvermos alguns dos possíveis transtornos psíquicos tão comuns nos dias de hoje.

Além de relatos pessoais com relação a mudanças vivenciadas após a prática meditativa, é importante que tenhamos evidências mais substanciais e irrefutáveis, desta forma este artigo priorizará como referência estudos que utilizam exames de ressonância magnética para observar a atividade cerebral e as mudanças obtidas.

Este trabalho de pesquisa pretende, portanto, falar de três aspectos que são modificados pela prática meditativa e de seus respectivos benefícios, sendo eles os seguintes: Atividade nos Lobos Frontais, atividade nas amidalas cerebrais, atividade elétrica entre os hemisférios cerebrais.

Desta forma, para que possamos falar das mudanças que ocorrem no cérebro, é importante que antes falemos sobre como elas se dão e para isso entendamos o conceito de neuroplasticidade.

 

sinapse 600x300 - 04.06. Neurotransmissores, neuroreceptores e hormônios

04.06. Neurotransmissores, neuroreceptores e hormônios

Melatonina

melatonina - 04.06. Neurotransmissores, neuroreceptores e hormônios

É um hormônio antioxidante produzido na glândula pineal, que afeta o nosso ciclo de sono e vigília, entre outras coisas. Quando medida na hora de dormir, os níveis de melatonina ficam altos, e quando medida pela manhã, os níveis tendem a cair.

Acredita-se que, além de ser um antioxidante ela combate também envelhecimento fisiológico. Sua produção está intimamente ligada com a nossa exposição à luz, especialmente à noite, nós não produzimos melatonina suficiente para dormir; muito pouca exposição à luz.

Quando os níveis de melatonina não surgem de forma adequada à noite, temos dificuldade para adormecer. Quando os níveis de melatonina são muito altos durante o dia, algumas pessoas ficam deprimidas, o que provavelmente faz com que ocorra o transtorno afetivo sazonal nos meses de inverno, em climas frios.

Meditadores experientes apresentaram maiores níveis de melatonina nas noites seguintes à meditação do que os obtidos em noites de controle, onde a meditação não foi realizada (TOOLEY, et al. 2000).

Para Harinath et al. (2004) os níveis de melatonina noturnos mostraram aumento em pessoas após três meses de meditação e, os mais altos níveis de melatonina noturnos, estavam relacionados a sensações de bem-estar.

Serotonina

serotonina - 04.06. Neurotransmissores, neuroreceptores e hormônios

Os neurônios que contêm serotonina estão associados com a emoção. Receptores de serotonina são encontrados na amídala e em outros locais associados à agressão. Muito pouca serotonina disponível pode causar depressão, e é também possível, que os níveis de serotonina estejam relacionados com o transtorno obsessivo-compulsivo. Num estudo sobre os efeitos da respiração profunda, para além de outros efeitos, parece que níveis mais elevados de serotonina disponível (medida pelos níveis de 5-HT) resultam de respiração abdominal profunda, o que pode afastar a depressão (FUMOTO, 2004).

Este é o tipo de respiração que geralmente aparece naturalmente no indivíduo quando em estado de meditação.

Dopamina

dopamina - 04.06. Neurotransmissores, neuroreceptores e hormônios

Os níveis de dopamina estão associados com o nível de agressividade do indivíduo, esquizofrenia e outras patologias. Pessoas extrovertidas apresentam níveis elevados de produtos de degradação da dopamina, indicando um aumento na captação da mesma. “Em um experimento, as pessoas que apresentaram um comportamento agressivo tiveram maiores taxas de liberação de dopamina durante períodos de meditação” (AUSTIN, 1999, p. 201).

Cortisol

Cortisol Molécula Hormônio www.icaro .med .br  - 04.06. Neurotransmissores, neuroreceptores e hormônios

O cortisol é um hormônio libertado pelo sistema autônomo para controlar aspectos estressores, nos coloca em estado de alerta para que possamos pensar e nos mover Melhor e com mais rapidez.

Se a produção de cortisol é continua, a longo prazo, sem permitir que o sistema nervoso parassimpático promova a homeostase, o indivíduo sobre os efeitos neurológicos da cortisona, envelhecimento precoce e muitos transtornos relacionados ao estresse.

Em estudos realizados com praticantes de meditação, as descargas de cortisol se mostraram reduzidas se comparadas ao grupo de controle, e um efeito benéfico sobre o sistema simpático-adrenal foi também observado (INFANTE, 2001).

“Níveis mais altos de cortisol produzem mais stress fisiológico e danos também a longo prazo, de forma que manter baixos índices acaba por ser muito saudável” (GOLEMAN, 2004, p. 179).

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04.04. Coração e sistema nervoso autônomo

Geralmente a meditação é uma prática silenciosa, de imobilidade, e aparentemente não causa alterações no nervoso autônomo incluindo o coração.

O sistema nervoso autónomo (SNA), que inclui os nervos que controlam as batidas cardíacas e nosso sistema endócrino, músculos do sistema digestivo, é constituído de duas partes que realizam funções opostas a fim de manter a homeostase. O primeiro é o sistema nervoso simpático, que está relacionada à ação, e o segundo é o parassimpático, que está relacionado com o relaxamento e funções passivas. Tais partes funcionam alternadamente, mantendo o equilíbrio do todo. O sistema nervoso simpático nos prepara para a ação em caso de emergência ou ameaça, principalmente em situações que exigem atitudes físicas, correr, lutar ou saltar. Em situações assim, as descargas de adrenalina nos preparam para a ação.

O sistema parassimpático em contrapartida, suporta funções não-emergenciais, como a digestão, o crescimento e o sistema imunológico; aspectos de manutenção do organismo a médio longo prazo. O neurotransmissor, acetilcolina, está relacionado com as funções parassimpáticas, como a noradrenalina. Os dois sistemas não podem funcionar simultaneamente, e precisam um do outro, a fim de proporcionar a homeostase.

Se o corpo está fora de equilíbrio, um deles está predominantemente em atividade e podem ocorrer danos. Quando levamos uma vida estressante e não fazemos nada para equilibrar o stress, nosso sistema nervoso simpático tende a ser sobrecarregado, e o parassimpático não terá tempo suficiente para fazer o seu trabalho e restaurar nossa saúde.

Dr. Herbert Benson demonstrou que os efeitos da meditação são essenciais neste contexto, proporcionam a ativação de todo o aparato parassimpático e reduzem a atividade do sistema nervoso simpático.

respiração 600x300 - 04.03. Respiração

04.04. Coração e sistema nervoso autônomo

respiração - 04.03. Respiração

A respiração muitas vezes é utilizada pelos meditadores como algo a ser observado ou alterado; a respiração consciente causa mudanças na química do cérebro, proporcionando, a princípio, níveis de oxigenação diferenciados. Outro aspecto importante é a região do tronco utilizada na respiração. A respiração abdominal tem um efeito fisiológico distinto, em um estudo sobre os efeitos da respiração profunda concluiu-se que a respiração abdominal (VAB) promove um estado de predominância de ondas alfa de alta, que resulta em uma sensação de vigor e um estado de redução da ansiedade.

Somado a isso temos níveis mais elevados de serotonina disponível (medida pelos níveis de 5-HT) que estão associados a níveis mais baixos de depressão (FUMOTO, et al. 2004).

Também foi descoberto que a exalação e a inspiração produzem efeitos fisiológicos diferentes sobre o cérebro e sobre os outros órgãos. As células nervosas se iluminam nas imagens dos exames durante a inalação e atenuam essa iluminação durante a expiração.

“Durante a meditação, a respiração tende a retardar, voluntária ou involuntariamente e passamos a usar um tempo maior para a exalação do que para a inalação, aspecto inverso daquele que observamos quando o indivíduo está em uma situação de medo” (AUSTIN,1999, p. 94)

“Quando sentimos medo, mais tempo é gasto na inalação do que em exalação, e a respiração tende a ser peitoral e não abdominal. Quando experimentamos relaxamento, mais tempo é gasto na exalação, a respiração tende a ser mais baixa, no abdômen” (AUSTIN, 1999, p. 95).

Aparentemente, ritmos de respiração também afetam o cérebro, particularmente na amídala.

“Quando a respiração é tranquila e não há expiração prolongada, as células nervosas na amídala, onde o medo é experienciado, reduzem seu nível de atividade, resultando em relaxamento físico” (AUSTIN, 1999, p. 98).

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04.02. Mudanças em nível cerebral

Lobos Frontais

Lobos Frontais - 04.02. Mudanças em nível cerebral

Um dos quatro pares de lobos no córtex cerebral, regiões que mais demonstram diferenças se comparadas aos cérebros de nossos antepassados. Embora os lobos frontais tenham funções ainda pouco conhecidas, sabemos que muitas das habilidades humanas mais complexas, como planejamento de ações sequenciais, comportamentos sociais, a espontaneidade, a memória, a linguagem, a iniciação, julgamento e questões emocionais são tratadas por essa região.

“Entre as diversas funções dos lobos frontais estão a plasticidade do pensamento, a capacidade de julgamento, a habilidade de produzir ideias diferentes, a organização da informação, a capacidade de dar respostas adequadas aos estímulos, de estabelecer e trocar estratégias e de planejar uma ação” (COSTA, et al. 2004)

Depressão: no que diz respeito aos lobos frontais, verifica-se que em geral o lóbulo direito (bem como a amígdala até certo ponto) está associado com emoções negativas, tais como depressão e ansiedade, e o lóbulo esquerdo está associado com emoções positivas, como felicidade, entusiasmo.

Fonte: Goleman, 2004.

As pessoas que têm depressão combinada com intensa ansiedade têm o mais alto nível de atividade no lobo pré-frontal direito (GOLEMAN, 2004).

A partir de estudos recentes utilizando as técnicas de neuroimagem, observa-se a existência de um componente neurológico para depressão, particularmente relacionado aos lobos frontais e a atividade nas amídalas (IRWIN, et al. 2004).

Para Menkes et al. (1999) a depressão pode ser significativamente diminuída pela estimulação electrica do lobo frontal esquerdo.

De acordo com Goleman (2004) a atividade sobre o lado esquerdo do cérebro suprime a atividade sobre o lado direito.

Segundo Newberg (1995), em numerosos estudos foi indicado que o córtex pré-frontal esquerdo, o hipocampo e as amídalas associadas a ele, mostraram aumento da atividade durante a meditação

Davidson (2003) fez anos de extensa pesquisa nas áreas correlatas a neurociência e meditação envolvendo a investigação em 25 indivíduos que eram testado antes e imediatamente após um programa de meditação de oito semanas, em seguida, novamente testados quatro meses após o programa. Como resultado, verificou que os praticantes de meditação tinham aumentado significativamente a atividade no lobo frontal esquerdo, quando comparados com os não praticantes de meditação (grupo controle).

Considerando que a meditação afeta tanto os lobos frontais quanto a amígdala, e que parece transferir, em parte, a atividade do córtex pré-frontal direito para o esquerdo, é perfeitamente lógico inferir que ela afete os sintomas de depressão.

Límbico

limbico5 1 - 04.02. Mudanças em nível cerebral

As amídalas e as emoções relacionadas ao medo têm atraído o crescente interesse dos pesquisadores. As amídalas, pequenas estruturas em forma de amêndoa, situada dentro da região antero-inferior do lobo temporal, se interconecta com o hipocampo, os núcleos septais, a área pré-frontal e o núcleo dorso-medial do tálamo. Essas conexões possuem um papel importantíssimo no desempenho de mediações e controle das atividades emocionais de ordem maior, como amizade, amor e afeição, nas exteriorizações do humor e, principalmente, nos estados de medo e ira e na agressividade. As amídalas também são fundamentais em situações onde o indivíduo corre algum tipo de perigo, gerando medo e ansiedade, disparando a atitude de enfrentamento ou fuga. A lesão das amídalas faz, entre outras coisas, com que o indivíduo perca o sentido afetivo da percepção de uma informação vinda de fora, como à visão de uma pessoa conhecida. Ele sabe quem está vendo, mas não sabe se gosta ou desgosta da pessoa em questão.

Devido capacidade de associar memórias, dor e medo nas amídalas, podemos ter situações devastadoras para o nosso estado emocional. De acordo com Davidson (2003), quando somos expostos a situações que exigem destas áreas, aqueles que retornam ao estado basal mais rapidamente e demonstram menos atividade nas amídalas e mais atividade no córtex pré-frontal esquerdo ficam menos sujeitos a avaliar a experiência como traumática ou impactante, são pessoas com uma melhor capacidade para processar o evento.

Para Goleman (2004) ficam os indícios de que nosso cérebro parece se moldar a partir de nossas experiências, evidenciando nossa neuroplasticidade. A amídala é mais ativa quando alguém está deprimido, ansioso ou tem síndrome de estresse pós-traumático. O córtex frontal inibe a atividade da amídala buscando o equilíbrio, caracterizada pelo autor como o seqüestro das amídalas em seu livro Inteligência Emocional.

“A amídala normal tem muitos receptores para substâncias opióides e, quando chegam a ela funcionam como antagonistas produzindo uma redução na percepção do medo” (AUSTIN, 1999, p. 177).

“Temos muitos receptores para ambos os opióides e canabióides em nosso cérebro, mas ainda não se sabe ao certo quais os neurotransmissores endógenos aptos a recebê-los” (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2001, p. 138, 148).

Com base nos resultados das experiências de meditação estudadas até agora, podemos aferir que a prática meditação estimula a produção ou a libertação de nossos próprios opióides, endógenos, que têm o mesmo efeito que também conseguem anular a resposta de medo das amídalas. Considerando que alguns distúrbios psíquicos estão relacionados a traumas que envolvem a nossa percepção de segurança, pensar que a habilidade de lidar com o medo se vê melhorada, permite dizer que a pratica meditativa auxilia, mais uma vez, nos processos psicoterápicos.

Hipocampo

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Tem funções relativas à memória de curto prazo, entre muitas outras funções. Existem indícios de que os altos níveis de cortisol matam células do hipocampo, algo muito presente nos quadros de síndrome do estresse pós-traumático e depressão, embora não seja absolutamente certo se o estresse emocional ou o reduzido volume do hipocampo vem em primeiro lugar.

Para Infante et al. (2001) a meditação parece ajudar o corpo a manter um nível mais baixo de cortisol.

“Protegendo nossas memórias de curto prazo, o que pode ser altamente vantajoso à medida que envelhecemos” (GOLEMAN, 2004, p. 179).

Parietais

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O córtex parietal está associado à consciência de si, bem como a nossa percepção de tempo e espaço (NEWBERG, 2004).

Para Newberg (2001) descobriu, em um estudo com monges, que durante a meditação, o córtex pré-frontal esteve extremamente ativo, mas que os lóbulos parietais se mostraram mais inativos.

Kaul (2004), em um estudo com monges budistas tibetanos verificou que o córtex pré-frontal mostrou-se extremamente ativo, e um córtex parietal suprimido, durante a meditação.

Sob este aspecto, as experiências meditativas narradas por praticantes que envolvem uma dissolução do senso de individualidade, da sensação de tempo e espaço parecem bastante lógicas.

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04.01. Introdução sobre Meditação

1. INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, os equipamentos de ressonância magnética nos permitiram pesquisar aspectos que antes eram completamente desconhecidos e trouxeram a meditação para os laboratórios, para ser estudada a luz da ciência.
O que temos observado é que podemos efetivamente modificar nossos cérebros, alterando nosso humor, nossa capacidade de empatia, nossas habilidades relativas aos relacionamentos interpessoais e muitas outras.
O trabalho teve como objetivo descrever, através de uma pesquisa bibliográfica, uma explicação científica para a eficiência da prática da meditação, bem como identificar as situações nas quais ela se mostra mais apropriada.
Recentemente os cientistas descobriram que a prática meditativa altera nossas ondas de eletroencéfalograma (EEG) em direção alfa ou theta, o que afeta nosso sistema autônomo de forma benéfica, e mais importante, reduz a atividade do lobo temporal direito para o lobo temporal esquerdo.
Entre outros benefícios, temos uma postura mais positiva, menor agressão, um estado mais relaxado, um sistema imunológico saudável e uma desaceleração do processo de envelhecimento.

2. METODOLOGIA

Para que o objetivo da pesquisa proposta fosse atingido, foi realizada uma pesquisa bibliográfica que possibilitou o acesso aos resultados de trabalhos científicos que mostraram a eficiência da prática de meditação, bem como da identificação das situações nas quais ela se mostra apropriada.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

3.1 Métodos para Analisar a Atividade Cerebral

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Basicamente temos seis métodos de imagem principais para analisar a atividade cerebral: EEG, ressonância magnética, fMRI, CAT, PET e SPECT.
Os três primeiros, EEG, ressonância magnética e fMRI, não são invasivos, enquanto os três últimos, CAT, PET e SPECT, envolvem a aplicação de contrastes radioativos, algo que muitos dos praticantes de meditação não estariam dispostos a permitir para fins de estudos.

EEG – Electroencefalograma é um método que mede as ondas cerebrais electronicamente, através de eletrodos na cabeça, a atividade elétrica em vários pontos na cabeça é registrada por um dispositivo ligado aos eléctrodos. Ele pode determinar a frequência e amplitude das ondas cerebrais, para que possamos determinar o tipo de onda cerebral está sendo produzida, esta informação é útil ao estudo dos efeitos de diferentes estímulos no cérebro.

MRI – Ressonância Magnética é o método que envolve o cérebro em um campo magnético forte e usando-se sensores em torno da cabeça para detectar sinais electromagnéticos gerados pelos átomos de hidrogênio, em resposta a este campo, em seguida, converte-o em uma imagem. O equipamento sem radiação, que pode produzir uma imagem muito detalhada de qualquer área do cérebro. Sua limitação está relacionada ao fato que ele funciona melhor para mostrar mudanças físicas e não as químicas ou metabólicas.

fMRI – Ressonância Magnética Funcional, quantifica mudanças no fluxo sanguíneo e no metabolismo. Neurônios ativos requerem mais oxigenação, de modo que a fMRI pode determinar onde no cérebro a atividade é mais intensa. É semelhante à ressonância magnética, mas usa dados químicos para analisar a imagem, em vez de apenas dados físicos.

CAT – Tomografia Computadorizada mostra uma fatia do cérebro. O Raio-X é disparado em um lado do cérebro, enquanto um sensor capta do outro lado e registra a quantidade de radiação. Áreas que absorvem uma grande quantidade de de radiação na digitalização mostram uma cor diferente. A desvantagem do CAT é a grande exposição à radiação.

PET – Tomografia por Emissão de Pósitrons é uma ferramenta da medicina nuclear que usa raios-X. O contraste injetado contém pósitrons, que interagem com os elétrons para produzir radiação eletromagnética e detectores recebem a radiação, mapeando a atividade cerebral, pois as imagens ficarão iluminadas nas regiões ativas.

SPECTSingle Photon Emissão Tomografia Computadorizada envolve também a injeção de contraste radioativo, a medida que a substância se decompõe, produz raios gama, que podem então ser medidos e transformados em imagens tridimensionais da atividade cerebral.

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Alguns dos equipamentos para a análise da atividade cerebral permitem medições das correntes elétricas que trafegam pelo cérebro, podendo-se avaliá-las com relação ao comprimento de onda e classifica-las da seguinte forma:

– acima de 30 Hz – ondas beta, encontradas com o indivíduo em estado de vigília;

– 14-30 Hz – ondas alfa, normalmente encontradas quando o indivíduo está calmo, relaxado, ou, muitas vezes, quando está em estado meditativo;

– 8-13 Hz – ondas theta, produzidas durante alguns estados do sono e alcançadas por praticantes mais avançados de meditação;

– 4-7 Hz – ondas delta, encontradas em sono profundo;

– abaixo de 4 Hz – Ondas Gama;

O EEG além de avaliar a frequência de onda encontrada em cara região do cérebro também pode verificar se existe coerência no contexto, se as diferentes partes do cérebro estão em sincronicidade em relação às ondas cerebrais. Por exemplo, se uma região do cérebro apresenta atividade beta e outra região do cérebro mostra ondas alfa, não existe nenhuma coerência entre essas partes. A coerência está relacionada à criatividade do indivíduo, estudos apontam que a meditação tem a capacidade de aumentar os níveis de coerência (ORME-JOHNSON, 1977b).

“O praticante novato apresenta um aumento na produção de ondas alfa, os regulares e experientes já conseguem apresentar predomínio de ondas alfa e os muito avançados chegam a apresentar ondas Teta” (AUSTIN, 1999, p. 88).

A região cerebral onde temos uma maior mudança é no lobo frontal, segundo pesquisadores japoneses (TAKAHASHI, et al. 2005).

“Meditadores muito avançados, com mais de 10.000 horas de prática, chegam a apresentar ondas gamma” (AUSTIN, 1999, p. 90).

“As pesquisas de Richard Davidson também descobriram um enorme aumento na atividade gamma no lobo frontal esquerdo dos praticantes avançados” (GOLEMAN, 2004, p. 12).

Existem também evidências de que o tipo de foco da meditação pode resultar em diferentes tipos de ondas no cérebro. Estudos que avaliaram a meditação concentrada observaram aumento de ondas theta e ondas alfa (LUTZ, et al. 2004).

Estudo com meditadores de Sahaja Yoga, caracterizada pela ausência de pensamento, apresentou resultados diferentes, com o aumento da presença de ondas teta (AFTANAS; GOLOCHEIKINE, 2001).

Uma pesquisa recente descobriu que os praticantes budistas de longo prazo, que focam em um estado de compaixão durante a meditação, tiveram uma elevação das ondas gamma durante e pouco depois da meditação, em comparação com os indivíduos de controle da pesquisa.

Lehmann et al. (2001) descreveram que pesquisadores estudaram os efeitos neurológicos de diferentes tipos de meditação

Embora todos os estudos apontem diferentes alterações no EEG, todos mostram um afastamento da beta, ou seja, mudança em ondas cerebrais do nosso estado normal de vigília, geralmente mudança na direção alfa ou theta, que são estados relaxados.

Além das ondas cerebrais serem afetadas pela meditação, respostas fisiológicas e bioquímicas também podem ser observadas.

ressonancia - 05. O que é consciência?

05. O que é consciência?

O que é consciência ?

Queria contar uma experiência feita com um paciente em coma profundo, era um empresário, que trabalhava muito e praticava tênis.
O paciente foi colocado em um equipamento de ressonância magnética e quando pediam a ele para pensar no trabalho e no escritório determinadas áreas de cérebro se ativavam e isso era visto nas imagens…

Em seguida pediram para que ele pensasse que estava jogando tênis, e outras áreas se ativaram, gerando imagens completamente diferentes.

Então começaram a fazer perguntas a ele, pedindo que ele pensasse no escritório se a resposta fosse não e em jogar tênis se a resposta fosse sim.

Incrivelmente, olhando as imagens do equipamento de ressonância, era super nítido ver quando ele estava respondendo Sim (tênis) ou Não (trabalho).

A ideia de que consciência é um estado no qual estamos acordados e nos comunicando é na verdade muito enganosa, é uma visão muito simplificada.

Então … Oque é consciência ? 🙂


Homem acorda depois de passar 12 anos em ‘estado vegetativo’ e revela: ‘eu tinha consciência de tudo’

O texto abaixo foi retirado de : Notifam PT

Martin Pistorius odeia Barney. Não é de admirar. Por 12 anos, enquanto ele estava num coma que os médicos descreveram como “estado vegetativo”, enfermeiras tocavam incessantes reprises de Barney – pensando que ele não podia ver ou escutar nada – enquanto ele permanecia sentado e amarrado à sua cadeira de rodas.

Mas Martin não era o “vegetal” que os médicos diziam que ele era. Na verdade, ele podia ver e escutar tudo.

“Eu sequer posso dizer a você o quanto odiava Barney”, ele disse recentemente ao NPR.

Na década de 1980, Martin era um típico jovem ativo sul-africano. Porém, quando tinha 12 anos, foi acometido por uma doença que deixou os médicos desconcertados, e que eventualmente resultou na perda da capacidade de movimentar os membros, de fazer contato visual e, finalmente, de falar.

Seus pais, Rodney e Joan Pistorius, foram informados de que ele era um “vegetal” e que o melhor que eles poderiam fazer seria levá-lo para casa e mantê-lo confortável até que ele morresse.

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Mas o jovem continuou a viver, apesar do diagnóstico.

“Martin simplesmente persistia, persistia”, disse a mãe dele.

Agora, em uma nova autobiografia, “Ghost Boy: My Escape From a Life Locked Inside My Own Body” [Garoto Fantasma: Minha Fuga de uma Vida Presa Dentro do Meu Próprio Corpo], Martin revelou que, embora no início ele tivesse permanecido inconsciente tal como os médicos pensavam, depois de mais ou menos dois anos ele começou a acordar, tornando-se eventualmente consciente de tudo o que estava ao redor dele.

O pai de Martin, Rodney, cuidou do filho ao longo da provação, e relembra a rotina diária de acordar às cinco da manhã para preparar Martin para um dia num centro de tratamentos especiais.

“Oito horas depois eu o buscava, dava banho nele, alimentava-o, colocava-o na cama, programava o despertador para duas horas depois, para acordá-lo e não deixar que ele ficasse com assaduras”, disse Rodney à reportagem do NPR.

Porém, Martin se lembra de que em determinado momento sua mãe perdeu a esperança, e enquanto olhava para ele, pensando que ele não podia escutá-la, disse: “espero que você morra”.

Mas ele a escutou.

“Sim, eu estava lá, não desde o início, mas por volta de dois anos depois em que entrar no estado vegetativo, comecei a acordar”, disse Martin.

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“Eu tinha consciência de tudo, assim como qualquer pessoa normal. Todos estavam tão acostumados à minha ausência, que não perceberam quando comecei a estar novamente presente. Fui atingido pela dura realidade de que eu passaria o resto da minha vida daquele jeito: completamente sozinho.”

Com seu cérebro ativo, mas com o corpo sem reação, Martin pensou inicialmente que estava preso e que assim permaneceria.

“Ninguém jamais me tratará com ternura. Ninguém jamais me amará”, ele pensou. “Você está condenado.”

“Na verdade, não pensava sobre nada”, lembrou Martin. “Você simplesmente existe. É um lugar muito escuro para estar porque, em certo sentido, você se permite desaparecer. Minha mente estava presa num corpo inútil, meus braços e pernas não estavam sob o meu controle e minha voz estava muda. Eu não podia fazer um sinal ou emitir sons para alertar as pessoas que deu estava consciente outra vez. Eu era invisível – o garoto fantasma.”

Mas, mais uma vez, Martin não desistiu e disse que eventualmente reconciliou-se com as palavras de sua mãe.

“O resto do mundo pareceu tão distante quando ela disse aquelas palavras”, ele recordou, mas então percebeu que “com o passar do tempo, aprendi gradualmente a compreender o desespero da minha mãe. Todas as vezes que ela olhava para mim, podia ver apenas uma paródia cruel da criança que tanto amara e que fora saudável.”

Eventualmente, o corpo de Martin começou a responder a sua mente e inexplicavelmente começou a se recuperar. Ele aprendeu a se comunicar usando um computador e começou a expandir seu mundo além dos limites que o haviam obstruído.

Em 2008, ele encontrou o amor de sua vida, Joanna, e emigrou para o Reino Unido. Em 2010, ele começou seu próprio negócio.

Hoje ele tem 39 anos, está casado com Joanna e vive uma vida plenamente funcional e normal em Harlow, Inglaterra.

A história de Martin não é tão incomum quanto parece. Nos últimos anos, têm ocorrido muitos casos de pessoas diagnosticadas com “morte cerebral” ou que supostamente estavam em “estado vegetativo” e que mais tarde se recuperaram e revelaram que estavam plenamente conscientes do que acontecia ao seu redor.

Num caso particularmente “chilling”, um jovem chamado Zach Dunlap, revelou que estava plenamente consciente enquanto os médicos e seus familiares discutiam como doariam os órgãos dele. Apenas alguns momentos antes de ele ser levado à sala de operação para que seus órgãos fossem removidos, um membro da família colocou uma unha sob a unha do seu dedão do pé, causando uma reação inesperada. A cirurgia foi cancelada, e Zach se recuperou.

Casos como esses estão alimentando um debate crescente sobre a precisão dos diagnósticos de “estado vegetativo” e “morte cerebral”.

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03. Neuroplasticidade

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Acreditamos que a forma mais prática e simples de explicar um conceito como este é um exemplo, pois bem, acho que temos um que é perfeito.

Quando Herbert Viana, vocalista do Paralamas do Sucesso, pessoa de quem, por sinal, gosto muito, sofreu o seu acidente, foi muito comentado o fato de que Herbert tinha perdido massa encefálica.

Ou seja, no trauma sofrido com a fratura craniana, parte do cérebro de Herbert foi tão violentamente lesionado que precisou seu retirado nas várias cirurgias pelas quais ele passou.

Logo no começo do processo, ele não conseguia falar, perdeu parte da memória, não conseguia nem mesmo controlar muito da sua motricidade.

Não foram meses de recuperação, foram anos!

As partes não lesionadas do seu cérebro tiveram que aprender a fazer as funções das regiões que tinham sido lesionadas, pois bem, isso é neuroplasticidade !

E hoje, esse cara incrível, sobe em um palco e toca para milhares de pessoas !

Infelizmente, a medula óssea não se regenera e não consegue se adaptar como as regiões cerebrais, não existe uma troca de funções, de tal forma que esse nosso guerreiro faz shows em uma cadeira de rodas.

Se as regiões do nosso cérebro tem uma plasticidade tão grande a ponto de assumir funções de outras regiões, por que não teriam a capacidade de caminhar em uma direção diferente e se adaptar a outros padrões sem ter sofrido nenhum dano?

É tudo treino!

A plasticidade neuronal nos garante a possibilidade de em algo como 6 meses transformar nossas vidas, obviamente em uma direção muitíssimo melhor.

Salve Herbert Viana, seu exemplo e sua capacidade de superação!

meditacao trabalho 600x300 - 02. O que é meditação ?

02. O que é meditação ?

Meditação não poderia ser algo mais simples do que é …
Acompanhe o raciocínio…
Quando queremos uma melhor forma física, o que fazemos?
Treinamos! Desenvolvemos uma capacidade cardiovascular maior, melhoramos nossa massa muscular, trabalhamos nosso alongamento, cuidamos de nossa dieta… Certo?
Pois bem, se você quiser ser mais feliz, menos ansioso ou deprimido, se quer ter mais foco, uma mente mais tranquila e assertiva, se quer se prevenir contra Alzheimer ou outras patologias de natureza degenerativa em nível neurológico… o que pode fazer ?
Meditação!
É um treinamento, é um estado no qual nos pomos por um determinado tempo diário e que nos proporciona os benefícios acima.
Mas quem comprova esses benefícios? É algo subjetivo? Estão falando da impressão de cada um?
Não! É algo muito mais científico do que se possa pensar! É pura neurociência!
Obviamente, não temos a compreensão exata de como uma metodologia tão simples possa proporcionar tantos benefícios, mas temos a comprovação científica de que isso acontece!
A questão é que o cérebro de todas as pessoas pode ser avaliado em equipamentos de ressonância magnética e os padrões de atividade cerebral ou carga elétrica entre os hemisférios podem perfeitamente ser avaliados, de tal forma que podemos identificar quais são os padrões do cérebro de uma pessoa feliz, e podemos também identificar os padrões opostos nos cérebros de pessoas infelizes, deprimidas e profundamente ansiosas. 
Seguindo esse raciocínio, podemos realizar pesquisas no sentido de detectar práticas que “modificam” nosso cérebro na direção de torná-lo o cérebro de uma pessoa mais feliz e por consequência, nos tornar felizes e todos os estudos vem apontando uma determinada prática como a mais eficiente: A meditação !
Parece que eu tô maluco né? Falar de forma tão simples sobre uma alteração em nível cerebral… pois bem, vamos falar um pouco sobre Neuroplasticidade no próximo tópico, espero vocês por lá !
Neste link vocês podem conhecer o homem mais feliz do mundo ! 🙂

Mathie Ricard 1 - 06.01. Matthieu Ricard - O homem mais feliz do mundo !

06.01. Matthieu Ricard – O homem mais feliz do mundo !

Depois de um longo treinamento, hoje ele é considerado um dos homens mais felizes do mundo. Você duvida? Então ouça o que ele tem a dizer sobre o efeito da meditação e das práticas contemplativas no cérebro.

Mathie Ricard - 06.01. Matthieu Ricard - O homem mais feliz do mundo !

Essa careca cheia de 256 eletrodos de EEG é de Matthieu Ricard, um dos integrantes do Instituto Mind and Life, conhecido aqui no Brasil pelo livro O monge e o filósofo e pelo mais recente Felicidade: a prática do bem estar.

Após trabalhar no Instituto Pasteur e obter seu doutorado em biologia molecular, na década de 70, Matthieu Ricard se dedicou a estudar e praticar o budismo.

Parte 1

Parte 1

Parte 1

Conhecido por ser o homem mais feliz do mundo. Porquê?

Receio que isso não seja culpa minha. Um jornalista lembrou-se de usar essa expressão, mas não corresponde à verdade. Surgiu no contexto das investigações científicas sobre os efeitos da meditação feitas pelo Instituto Mind and Life Institute, nos EUA. Fui um dos participantes, mas houve outros e, de resto, os resultados são relevantes precisamente porque não se resumem a uma pessoa.

Em que consistiram essas experiências?

Basicamente no estudo do cérebro de monges experientes em meditação. Pegamos num conjunto de pessoas que nunca tinham meditado e ensinamos-lhes técnicas de meditação budista, que praticaram por um mês. Depois usamos eletroencefalogramas e ressonâncias magnéticas para comparar a atividade do cérebro dos monges e dos meditadores recentes durante a meditação. Nos recentes havia poucas diferenças, mas nos monges a meditação sobre a compaixão ativou de forma poderosa o lobo frontal esquerdo, que é a zona do cérebro associada às emoções positivas.

Quais são as implicações dessas experiências?

Mostram que é possível modificar padrões cerebrais – aquilo a que se chama neuroplasticidade – neste caso com o objetivo de sermos mais felizes. Já sabíamos que o treino modificava o cérebro em músicos ou nos taxistas londrinos obrigados a memorizar milhares de ruas. Agora sabemos que pode desenvolver zonas associadas à felicidade e ao bem-estar.

Podemos treinar a felicidade, é isso?

Sim. A felicidade é uma habilidade e pode ser cultivada !